A primeira experiência.

(Cássia Vicente)


Tinha chegado a hora, agora, com o compromisso assumido não tinha como desistir, era enfrentar a situação com serenidade, afinal de contas fôra ela quem buscara aquela oportunidade no afã de mudar o rumo de sua pacata existência.
Queria radicalizar, azar o dela por ter buscado esta alternativa, pensava enquanto se produzia para "encenar" a própria vida.
Olhou no espelho, quase não se reconheceu, estava tão diferente, olhos pintados, roupas coladas ao corpo, meia preta e sapato altíssimo, até que não estava mal, pensava um tanto envergonhada com a situação, em todos estes anos jamais passara pela sua cabeça um dia se vestir assim, deixando de lado o apagado jeans e camiseta.
Estava pronta, faltava o perfume, escolheu um bem doce e borrifou pelo corpo, pegou a bolsa minúscula e saiu tentando ser decidida.
Já na rua, dentro do carro, a caminho da casa onde começaria tudo, sentiu náusea, quase tendo que parar, respirou fundo e acelerou, quanto antes chegasse melhor.
Parou diante da casa, uma bela mansão. Arrepiando toda diante dos pensamentos que passara pela sua cabeça, pegou o casaco no banco traseiro e o vestiu.
Tocou a campainha, sentido seu rosto enrubescer, por momentos desejou que ninguém viesse atender.
Quando a porta se abriu, soltou um largo sorriso e disse olá.
O homem, aparentando uns sessenta anos, nem respondeu, puxou-a para dentro arrastando-a para o quarto parecendo uma avalanche.
Quando deu por si, estava dando partida no carro.
Até que não fôra de todo ruim, pensava enquanto olhava para a minúscula bolsa aberta revelando o fatídico volume que não tivera tempo de acomodar como deveria.
Preciso providenciar uma bolsa maior... disse em voz alta, enquanto dirigia de volta para casa.

 

 

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