Talvez fosse o Azul da sorte ou da morte. Já está na hora de trocar o pretinho básico pelo azul quase noite na morte anunciada.
Poderia ser o azul do norte. É de lá que vem o cheiro da sorte. Férias tem cheiro de norte, tem cor azul celeste e azul mar.
E o azul jeans. Esse me deixa no cotidiano, salvo quando penso nele quase preto, deixando a noite sem opção de ser o único preto das ruas cheias de pernas ambulantes, apertadas no jeans quase preto da moda inverno. O inverno de muito céu azul chama o verão de azul celeste.
Mas o quase azul preto nunca predominará ao azul jeans.
Prefiro ver o azul desbotado desfilando nas calçadas levadas pelas sandálias de solados vermelhos (para poucos mortais) ou nas sapatilhas tão na moda ( para qualquer mortal).
Perseguida pelo novo jeans azul de uma marca conhecida, a cada passada de mão, marcam de azul meus dedos fora de hora. Adoro o jeans mesmo assim. Por outro lado se é de marca, não poderia pintar as minhas unhas tão caprichadas de vermelho beijo ardente.
Juro que quando morrer não vou perdoar quem for me dar o último (falso) adeus com um pretinho básico e uma rosa vermelha na mão.
Vou providenciar de ante-morte a minha sorte:
Todos de calça jeans azul. Por favor!
Podem escolher uma blusa preta descolada, mas de calça jeans azul, por favor!
Se quiser me contrariar pode até arriscar um vestidinho básico azul, de preferência jeans. por favor!
Meu traje: A rigor. Calça jeans azul, pode ser qualquer uma que escolher. Aquela blusa pouco usada do armário, nem me importo, conquanto esteja de calça jeans: azul.
Sapatos. Nem precisa, mas se achar que deve, aquele velho tênis azul servirá como uma meia nos meus pés, já me acompanham a mais de oito meses. Não servirá mais pra nada, perdeu a validade, assim como eu.
Já os meus sapatos estes sim, limpos, arrumados na prateleira por cor, em saquinhos, presenteiam a qualquer um com gosto. Principalmente aquele de solado vermelho.
Longe do mar aprecio o azul do céu, das águas que iluminam minha casa de um reflexo azul solar nas peredes amarelas contrastando com o chão meio azul esverdeado do cimento queimado.
Minha vida já foi, continua e continuará sendo azul.
Já tive um computador azul. Já amei em um lençol azul.
Já provei sorvete azul, chiclete azul, cobertura de bolo azul. Absinto azul tenho aqui, mas ainda não bebi, acho que tenho medo de perder o meu chão azul e ir parar no azul do céu mais rápido que posso controlar.
Outro dia, vi as borrachinhas de um aparelho ortodôntico na boca de uma amiga, pode acreditar, eram azuis.
Já tive carro azul. Já provei o azul dos olhos. Já entornei o caldo azul da vergonha.
Tenho uma amiga que adora colar, pulseira e brinco azuis. Até cheguei a comprar um colar azul para ela. Usei. Não estamos nada azul nos últmos azuis celestes.
Tenho uma boneca de cabaça  azul.
Vi na floricultura uma flor azul. achei melhor comprar o antúrio vermelho.
Já tive biquini azul. Acabou num saco de lixo azul.
Minha caneta é azul e a tinta corre azulando o papel azul. O céu está decididamente batendo azul no papel.
Azul nas asas dos patos aqui do lago, refletem ao sol o azul jeans.
Azul é minha existência e minha pós-existência.
A saudade é azul. Azul alegre, azul distante, azul lágrima, azul recordação, azul vontade. Azul de raiva. 
Sonhos azuis debaixo da noite azul prateada pela lua.
Já tive calça jeans azul boca de sino, boca de pito, hoje são tantas bocas que nem sei nomear. Adoro experimentar todas. 
Mas, antes que me esqueça, tudo isso se concentra no meu caixão de morte: Azul, por favor!
Para que não se esqueça vou deixar anotado, pregado no peixinho azul na porta da geladeira quase azul de tão velha: Azul, por favor, não se esqueça!
Quando você vier me ver, vem de azul?
O céu está pintando de branco.
Vou comprar um vestido vermelho para ir ao casamento.
 
 
Jataí.GO
23.08.2009
 
 
 
 
 
 
 

 

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