CONTANDO  ZEROS
 
 
Verificar o saldo do banco era tudo que não queria estar fazendo naquele momento,
poderia estar na cafeteria comendo uma torta de chocolate e um gostoso café expresso, recebendo aquele telefonema tão esperado, ou mesmo  lendo o livro que estava mudando alguns conceitos seus.
Mas seus olhos, por imposição viam todos aqueles números vermelhos na tela do computador.
Belo jeito de terminar sua tarde! Tarde demais para reclamar, a impressora já estava
imprimindo o roteiro do pesadelo da próxima madrugada.
Quem garantiria a ela uns números azuis no final do mês? Não precisaria ter infindos zeros, alguns múltiplos de quatro seriam sufucientes, disso ela tinha certeza absolluta.
Ria para não chorar, já não se encontravam bons partidos, preferiam as mocinhas doidivanas por algumas horas e a certeza de liberdade total!
Enciumada da pouca idade, envergonhada, vermelha de compaixão por si, debruçou no pote de biscoito, ligou a tv na sessão da tarde, comeu e se entediou.
 
(Cássia Vicente-outubro2010)
 
 
 
 

 
 
 
 
 
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