ENTÃO...

E lá estava eu, diante de você...
Com um sorriso pegou as minhas malas e caminhamos sem conversar até o carro.
Estava ainda paralizada, sem crer que esta era agora a realidade.
Você, com certeza, sentia o mesmo desejo que eu; jogar as malas no chão e num
abraço bem forte dizer eu amo você.
A verdade, é que se passara tanto tempo, que aquele tempo agora era tão infinito
como o mar asfaltico que via da minha janela, já sentada ao teu lado.
Tua mão trêmula, passou pela minha num relance quase fosco; acelerou, a pressa estava
atropelando o coração que podia ouvir entre as buzinas dos desesperados, quase loucos,
apaixonados como a gente.
Então...balbuciei roucamente.
Então...ouvi da tua voz.
Rimos, rimos muito...
Hoje, quando me recordo, tenho vontade de correr pelo asfalto, buscar teu rastro, que ficou preso no meu corpo,
disforme, depois que olhei pela janela lá do alto, tão alto que nem pude dizer até breve.

(Cássia Vicente-janeiro2010)

 

 

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