Liberdade

Cássia Vicente

Quando deitado no leito, quase de morte, seus pensamentos voaram como um pássaro azul refletindo nas águas do mar seus sentimentos que naquele momento cristalizaram as águas como um espelho. Parou no ar se equilibrando no vento brando e começou a assitir sua vida preguessa.
Criança linda ele fora, olhos espertos, cabelos sempre em deslinho, articulava as mais perfeitas artimanhas para se livrar das obrigações e cair nas brincadeiras com a molecada da rua.
Já mocinho, alto, forte, bem articulado nas palavras, levava todas a gatinhas no papo. Abusava para valer e depois belo pé na bunda. Viu a Berenice, - nossa como ela era linda, como pode ficar assim tão desarrumada?...logo viu o porquê...fora ele quem a desonrrara e ela caira na vida pela desilução. Sentiu as lágrimas caindo embaralhando as águas do mar. Se conteve para ver mais. Foram tantas coias mal feitas que não aquentou, desabou nas águas e chorou pela dor que causou. Voou e colocou nas águas toda sua fé e começou a ver seu rosto já cansado de tanto sofrer pela doença que o acometera, ja velho, sozinho, depois de tantas noitadas e mulheres, caira na fatalidade da AIDS.
Seu corpo mirrado na cama, detonava toda sua plenitude de jovem afoito que fora um dia, estava o resultado cumprido na sua forma mais brutal.
Não era de todo abandonado, sentindo um suave perfume no ar pôde ver sua mãe acariciando seu rosto e lhe chamando. Foi quando nunca mais abriu os olhos. Pássaro azul dum colorido sem igual voou livre até as alturas...
 

 

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