O Medo


Você me tem fácil demais!
É assim que pensa me conquistar, e quase consegue todos os dias.
Um dia você me acorda e me sussurra, faça assim, assado, ande assim, assado, pense isso, aquilo, seja assim, assado e eu aceito.
Outro dia não faz nada, acordo e sou eu, faço, penso como quero, assim ou assado.
Fico em cima do muro, da beira da estrada, quase me machuco na cerca de arame farpado, faço maior esforço para sentir o cheiro da primavera, fujo da chuva ou molho até a alma nas gotas que caem. Sou virgem em certas partes do corpo e despudorada em outras, fica à margem de mim, na sua margem de areia grossa,
esqueço que estou no barco e não sei remar, escuto os latidos dos cães e não quero levantar, você ri de gargalhada que dói meus ouvidos e eu cantarolo para não ouvir, de nada adianta, você pensa ser meu pesadelo, foi!
Aquele meu medo, não é mais meu, devolvo à você o que te pertence, vai, que eu vou ficar em paz.
Não volte, porque a porta está trancada e joguei as chaves no lago.
Até nunca mais, meu último conto sobre você, encerro este capítulo tolo.


Cássia Vicente
fevereiro 2012

 

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