UM DIA A CASA CAI

 

Cássia Vicente
 
 
Um dia a casa cai, ah cai, e eu com isso, que ela role rio abaixo,
eu quero mesmo é ficar à margem e ver o pesadelo se afogar nas ondas.
Se vou me arrepender? Que o céu seja testemunha da minha cara feliz
e o vento se encarregue de levar pra bem longe meus pés de galinha.
Depois é sentar na primeira esquina, pedir um caldo e me refazer do cansasso.
 
Não acredito que você deseja isso? Quer ser o tridente a me ferir eternamente?
Francamente.
 
Uma pessoa como eu precisa de liberdade, quatro paredes se multiplicam,
não quero me acomodar ao bel prazer de ninguém, preciso da areia nos pés,
do vento na cara, da calça surrada e da camiseta sem cor.
 
Então tá. Prisão não está no seu vocabulário? Hum, temo que não.
Se eu te propusesse mais uma noite entre quatro paredes?
 
Janelas abertas, valerá a pena. Depois não me cobre um café.
 
Trato feito!
 
Hum...cheiro de café.Sol. Será?
Não vai ser hoje que a casa rola, e eu com isso, que enrole mais,
eu quero mesmo é ficar à margem e ver o pesadelo se afogar nas ondas.
 
 
Jataí-GO
22-01-2011

 

 

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