Não consigo abrir meus olhos no líquido viscoso em que me encontro, mas respiro e posso sentir o aroma de sêmem impregnando minha pele.

Pelos sentidos sinto que a visão se aguça, algo como peixinhos prateados, passeiam em volta de mim, olhos espertos observam meu flutuar, percebem algo além de mim, físico talvez?

Algas verdolentas arriscam enroscar em minhas pernas, mas desistem , escorregadia, minha pele diz não!.

Liberta, não permito nenhuma sensação de prisão.

Arrisco algumas braçadas e a gelatina esbranquiçada me transfere um deslizar emocional que me permite gozar num prazer extraconjugal.

Uma cadeira, seria aquela que se perdeu ao vento norte?

Assento meu corpo e, expectadora de um mundo novo que descortina na minha frente, deixo o controle de lado e me entrego ao canal termal.

Onde estaria agora se não fosse o gostoso sentido do desafio?

A calcinha fio dental embalada em sedex, cheirando a sabonete me faz enrubescer, percebo que ainda trago vestígios de uma educação quase puritana, não fosse os genes que carrego desde sempre, estaria num convento e nunca teria sentido o gosto do sêmem em minha boca.

Seria o cheiro antes do sabonete que me trouxe até aqui, ou a vontade de estar naqueles olhos quando abririam o envelope?

Um jato frio me tirou a concentração, pregou em mim uma bola que explodiu no exato momento em que meus olhos se abriram.

Fatal, me senti uma barata d'agua esmagada, jorrando a sua esbranquiçada viscosidade por entre as pernas, seriam agora quantas? Quatro talvez.

Paralisada, envolvida pelo susto aqualirado, soltei as frases presas na garganta pudica e revolvi em orgasmos.

Ainda sem dó, pensei no pecado assumido sem pressa de pagar pra ver. Apenas queria ter.

Antes de chegar à tona ainda tive coragem de me despir dos preconceitos e vê-los sendo devorados pelos falsos tubarões daquele mar de ilusão.

Ou seria realidade o que acabo de viver?


Jataí.GO
07.01.20091

 

 

 

 

 

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