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"...e nunca me perguntes o assunto de um poema,
um poema sempre fala de outra coisa".
Mário Quintana
 
 
AQUI JAZ UM CORAÇÃO
Clara da Costa
 
Aqui jaz  um coração
vazio
vago
desocupado...
 
que sorri em silêncio
baila com o mar
mordisca o sol
lambe a lua...
 
A cortina se fechou,
na quimera das letras a magia desapareceu
como uma novela inacabada.
 
À deriva e cansado,
afoga-se no âmago da solidão
enquanto suspira no colo da saudade...
 
 
 
 
 
 
 
 

SOSSEGA, CORAÇÃO!

Eugénio de Sá

 

 

Sossega coração;

não intuas os pecados deste mundo como teus,

deles não te avoques, nem deixes que esse imenso e injusto peso

esmague a tua virtuosidade.

Senão, como vais viver e transmitir aos outros

as emoções que te são vitais, a ti, e à poesia que tanto amas?

Pede que te embarquem - ainda que temporariamente - num navio branco,

sem fantasmas, sem dores,

onde a morte não saiba fazer nós de marinheiro,

onde as tuas amarras soltas balancem livres com o vento,

sobre a espuma das mansas ondas.

Deixa que a tua tristeza se vá nesse mar-chão

com o escurecer do horizonte do teu fim de dia

e que os sons que te atormentam se esbatam nos silêncios do oceano,

só quebrados pelo gemido protetor das enxárcias

que o vento acaricia.

Depois, noite dentro, debruça-te à proa

e ouve o doce marulhar da água afagando o casco

que a sulca, alvo e ligeiro.

E assim, temperado de bonanças e de sonhos,

suaviza de brandura as tuas mágoas, abandona-te aos esquecimentos... 

E verás que o novo dia traz consigo as gaivotas e a esperança

e que à tardinha o céu te brinda com arrebóis de púrpuras e de ouro,

mostrando o encantamento dos anjos pelo renovado impulso da tua poesia.

 

Sossega, coração; ainda tens o dom que Deus te deu.

 

 
Julho/12
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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