ENTÃO... NÃO ME PROVOQUE!
Clara da Costa
 
O tempo já passou,
o paixão se foi com as fúrias dos ventos,
com os gritos dos vendavais,
com as noites solitárias,
desabrigadas,
tardias,
distantes.
 
Somos um amor partido,
que se perdeu por caminhos diversos...
 
Contorno o tempo,
a vontade,
morro todo dia do mesmo amor
nesse cenário nostálgico
quando teu rosto se sobressai no vazio da multidão,
e nas brumas cinzentas da solidão.
 
Eu sei...eu sei...sou teimosa, sim,
mas sei também que sou parte de algo sem volta,
irreversível,
de um vazio que lembra perda.
 
Acordo menos você
todo o dia...todo o dia!
 
Então...não me provoque!
 
Meu corpo ainda se inflama ao lembrar
daqueles abraços
loucos,
poucos,
roucos,
vibrantes e febris,
que explodem na minha memória.
 
Com o pensamento errante e disperso,
solto um gemido,
quando me provocas.
 
E definitivamente sei,
que no meu verso mudo,
oculto,
te amarei para sempre...!
 
 
NÃO ME PROVOQUES!
Odir Milanez
 
Não me provoques
com lembranças vazias
de teu corpo no meu, sem estares aqui.
O tempo em que nos perdemos,
perdeu-se quando perdi
a tentação dos teus toques
e os sorrisos que sorrias
quando sorrisos eu vivi...
Ás vezes o vento inventa
sorrisos dos mais diversos
e, sorrindo ele me tenta
risos aos teus semelhantes.
Fascinado, faço versos
vividos nos teus instantes
mesmo distantes, dispersos...
Navegante anoitecido,
dos mares de nunca mais,
sigo as sendas do esquecido,
junto as juras dos jamais
e das razões do não sido:
nos amávamos demais!...