INSANA ESPERA
Clara da Costa
 
Bailando ao luar,
vagueio sem destino, sem bagagem
pelas horas que choram
nessas noites de saudade.
 
Sussurra o vento nas janelas,
passeia sobre as árvores, entre turbilhões
de sobressaltos, sensações,
feridas que ainda não foram cicatrizadas.
 
Pressinto teu sorriso
nas ondas das ilusões,
ouço tua voz numa inquietude sem fim,
nos lampejos das minhas emoções.
 
Palavras vão parar no papel,
misturadas com melancolia,
lágrimas e poesia, 
que salgam teimosamente essa insana espera.
 
 
 

A ESPERA TEM LIMITES

Eugénio de Sá

 

Quando a saudade chega sorrateira

Em jeito de ficar apoquentando

Quando no quarto se encosta à ombreira

Da porta onde vivemos esperando

Temos de considerar que a vida inteira

Será tempo demais para ir esperando

 

Porque a esperança só vive se os indícios

De uma solução forem achados

Não pode alimentar-se dos suplícios

Que radicam nos sempre mal amados

Porque da esperança vã ficam os vícios

Dos soluços dos prantos não chorados

 

As saudades sem esperança são só agonias

Que um triste coração não deve prolongar

Pois não pode bater imerso em tiranias

Da constância da mágoa que o irá matar

Há que assumir de vez as nostalgias

Do amargo desenlace do amor acabar.

 

 

 
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Dama Misteriosa
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