NA PENUMBRA DAQUELE BAR
Clara da Costa
 
Um arrepio sutil
o tom do silêncio a nos afagar
a doçura do teu sorriso iluminado e travesso
bailando no meu olhar.
 
Plantamos rosas no peito,
ao ritmo de nossos corpos atordoados,
em dolente melodia na claridade dos desejos,
aromas e ais impregnados.
 
Eu, você, o vinho, o blue...
desejos brotam em desalinho, o vento a soprar
ecoando versos...e a poesia se faz
na paixão que palpita na penumbra daquele bar.
 
Ferrel/Portugal
 
 
 
 
 
NOITE NO BAR
Eugénio de Sá
 
Naquela foto há um mundo controverso
de sentimentos que à minh’alma afloram
que estas taças bebidas mais exploram
deixando ver s mágoas do avesso
 
Fito nostálgico do fundo bar
os vultos que evoluem ao balcão
e sinto que na minha solidão
só essa solidão tenho p’r amar
 
Verte-se a chuva copiosamente
nos vidros biselados da janela
enquanto m’embriago tristemente
 
E na fumaça de um último cigarro
se vai esvaindo o rosto que adorei
sem que me importe já o seu desgarro
 
Sintra/Portugal