O PALCO É NOSSO
Clara da Costa
 
Ganho asas,
minha saudade te alcança,
mudo rumos,
nosso encontro vira dança.
 
Voamos, nós dois, soltos no mundo,
pelas poesias da noite
de mãos dadas e mudos,
nessa cena que é só nossa.
 
Na noite que entoa canções na ventania,
cálices adormecem
misturados com maresia.
 
A cortina se abre ao amor,
o palco é nosso,
você... o grande ator! 
 
 
 
 

O PALCO É NOSSO

João Coelho dos Santos

 

Na tarde daquele dia subi ao palco

E encontrei a felicidade no perdão...

Reconciliando com a vida e com o mundo

Magro, como osso de galinha,

Andava fugido a cercos de sedução.

Com alguma emoção e mitigando entusiasmo

No palco entraste.

 

Nesse mês muito molhado, muito frio,

Devagar se arrastavam as horas do dia.

 

Julgando-me eterno exluído de teus sonhos

Ao ver-te ergueram os meus desejos.

 

Falaste com voz magoada

E vi teu sorriso resignado e bom de enternecer.

De soluços se entumeceu minha voz.

Mais forte e mais alto ardia nosso amor.

Soubemos, enfim, que o palco é nosso.

 

Foi então que, nas penumbras do sono, despertei

Senti braços desenlaçarem-se na despedida

E ouvi um gostoso gargalhar puro e alegre

Como adeus de despedida.

 

Parei de escrever e meditei...em coisa nenhuma.

 

Junho/13

 

 

 

 

 

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