O POEMA VOEJOU
Clara da Costa
 
...pelos becos tortuosos dos sonhos,
nos rastros de lembranças,
das promessas incertas
vestido de ilusão,
despido de certezas...
 
 ...com idéias nuas,
sentimentos em desalinho
o olhar perdido,
como um rio que corre distraído,
o poema voejou...
tranquilo
silenciado
sem rumo
sem sol
à espera daquela flor que sorri sambando
no desabrochar suave da primavera,
à espera do bailado colorido das borboletas
no voo delicioso da liberdade.
 
Praia de Pipa/Brasil
 
 
O poema anda no ar 
António Barroso (Tiago)
 
Quando o poema voa,
a criança corre atrás da borboleta,
a rosa abre a corola, sonhadora,
o sol brilha na aurora
e, todo o céu repete, ecoa,
acordes de opereta.
 
Há lilazes enlaçados com jasmins,
sacodem-se orvalhos da madrugada,
pelos jardins,
toda a passarada,
numa orquestra de encantar,
toca Mozart.
 
E o poema que anda no ar,
gritando sonhos e quimeras,
um hino à liberdade,
trocou a sua lira por asas de voar,
rodopia e voa,
e espera,
e espera o verso que se escoa
pelas frinchas da primavera.
 
O poema anda no ar.
 
Parede ? Portugal



  
 

 

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