Poema Inacabado
Clara da Costa
 
Tal barco à deriva,
a mente está sem rumo,
ando sem pressa,
não sei para onde vou,
perambulo nas madrugadas sombrias
vazias,
vadias...
Um suspiro,
um gemido,
um não sei o que,
sentimentos à flor da pele,
...sinto falta de ti,
do teu abraço na chuva,
do teu sorriso onde vi num imenso mar,
da tua voz acariciada pelo beijo,
teu cheiro uma presença ausente.
A música embala-me,
transforma-me em espera
...não sei se estou triste ou feliz,
não sei se canto,
se a dor espanto,
ou se escrevo um verso estupendo,
tanto faz...
 
O poema está inacabado...
ele espera por ti!
***
 

Às vezes, as madrugadas...

Eugénio de Sá

 

 

Falas de ausência, quem sabe

se nessa ânsia represa

a tua boca não há de

sorrir d'amor e surpresa

 

Que às vezes as madrugadas

C'o as brumas vindas do mar

Matam saudades amadas

Fazem um amor chegar

 

E então recomeçam vidas

Com mais e melhor carinho

Esquecem-se presto as partidas

 

Fazem os dias d'arminho

Com carícias repartidas

em brandos lençóis de linho.

 

Fev./12

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
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