Poema Inacabado
Clara da Costa
 
Tal barco à deriva,
a mente está sem rumo,
ando sem pressa,
não sei para onde vou,
perambulo nas madrugadas sombrias
vazias,
vadias...
Um suspiro,
um gemido,
um não sei o que,
sentimentos à flor da pele,
...sinto falta de ti,
do teu abraço na chuva,
do teu sorriso onde vi num imenso mar,
da tua voz acariciada pelo beijo,
teu cheiro uma presença ausente.
A música embala-me,
transforma-me em espera
...não sei se estou triste ou feliz,
não sei se canto,
se a dor espanto,
ou se escrevo um verso estupendo,
tanto faz...
 
O poema está inacabado...
ele espera por ti!
 
 
***
 
Que o poema se acabe! 
Eugénio de Sá
 
 
Sou poema, sou prosa, ganho vida
Em chãos lavrados pelo pranto dos teus olhos
Prouvera não houvesse uma partida
Nem a queda Outonal que tu desfolhas
 
Folhas precoces de árvore que secou
Lágrimas de uma espera doce e branda
Mas o poema não banha o que secou
Não apaga a saudade e nem a abranda
 
Fomes palpáveis que o tempo mitiga
Dizem alguns profetas enganosos
Mas se as sofremos só a nós castiga
 
Ledos momentos foram-se chorosos
Outros ficaram se a mágoa os instiga
A povoar os sonhos tormentosos 
 
Sintra
06.Agosto.2015
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
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