UMA CHAMA NÃO CONSUMIDA
Clara da Costa


A tarde empalidece
a lua pinta de cinza o céu,
tropeço onde a saudade germina,
com a poesia rondando o silêncio.

(Há sempre uma chama não consumida...)

Aconchegada na manta suave do vento,
eu te procuro na luz de cada olhar,
sussurrando teu nome entre pedaços de sonhos inquietos,
teimosamente vestidos de tempos passados.
 
 
Me encontrarás nas noites de luar
entre as palmeiras que a brisa acaricia,
me encontrás velando as madrugadas
nos sonhos que povoam teus sossegos,
me encontrarás nos faustosos arrebóis,
deslumbrada de luz e de poesia.
Me encontrarás nos sussuros do vento,
na espuma de cada onda esvaída na praia,
  no silêncio das palavras que ficaram por dizer...
 
Me encontrarás na chuva que despenca,
me encontrarás na esperança que vires
esboçada no sorriso de cada criança
com que cruzes.
 
Me encontrarás
na memória do tempo que foi nosso.
e que as gaivotas teimam em lembrar.
 
Olha esse céu azul e lá me encontrarás!
 
 
Eugénio de Sá
 
( Para a minha amiga Clara da Costa )
Sintra, 17 de Fevereiro de 2015