Poema Morto

Nestas horas já que, meio tortas,
Pelas madrugadas ébrias e frias
nada além de fatídicas horas mortas
Sem vida, sem nada, nem fantasias.

Na maldita embriaguez do verso
Segue-se a alma ao vento, ao léu
Na insensatez do caos diverso
De um lamento mudo e sem céu.

Sem chão, sem rumo, sem direção
Noites a fio na companhia do vinho
Amargo ao paladar, doce ao coração
Cálido ao ego, doce ninho.

Feito passaro de sul ao norte
Guiado pelo sol e pelo vento
Alguém em busca da própria sorte
Voando em torno de um pensamento.

Triste é a noite em meio a solidão
Tendo como companheira a ausência
Na devassa e inquietante inspiração
De uma taça brilhante sem inocência.

Noites sem sono, de puro abandono
Ah,peversa solidão que consome!
O caminhar de um ser sem dono
Sem lembrança de seu proprio nome.

Ainda que a vida queira assim
Em meio aos goles ainda se vive
Na saudade que insiste em dizer "sim",
Na esperança que sempre sobrevive.

Quem sabe, um dia, a mesma taça
Que hoje brilha a luz do luar
Não antagonize no peito e na raça
A este poema morto e possa amar?


GANDALF - 27/03/2010



Poema Morto

Pudera ser dia claro
assim minha poesia teria vida.
Na noite escura, sem lua
minhas letras se perdem,
morre o poema.
Trabalho ávido por uma rima,
me quedo bêbado, sem rumo
a espera que uma estrela brilhe:
no céu apenas lertas mortas do meu poema.
Caio na sargeta com o lápis na mão,
meu caderno se perde na enxurrada,
se vão as poucas frases mal formadas
do meu já morto poema.
Quem sabe quando amanhecer,
as palavras caiam no sereno da manhã,
e a saudade de escrever alguém
morra para que eu possa sobreviver
ao caos da noite em que
meu poema morreu mesmo antes de nascer.

Cássia vicente
27.03.2010


 
 

 

 

 

 

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