Minha Metade
entrelaçada à Metade
de Oswaldo Montenegro
(Cássia Vicente)


"...Porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio."

Grito pelas pequenas babagens,
me calo por grandes momentos
querendo confundir quem está aqui.

"...Porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade."

Enquanto parto em projetos e sonhos,
finco cada vez mais na terra
que parece não me pertencer.

"...Porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo."

Ouço parágrafos com ponto final,
frases incompletas nas reticências, que
tapam com purpurina minhas respostas.

"...Porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão."

Mostro minha metade em frases concebidas
enquanto a outra pede o isqueiro
para incediar minhas verdades.

"...Porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei."

Quero-me de volta. Saudade.
Conflito do que fui e do que sou, serei.
Sem resposta. Revolta.

"...Porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço."

Me abrigo no amanhã
sem saber se, o que, vou descobrir.
Cansada, não quero sair do cobertor.

"...Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção."

Atuo no palco para a minha platéia.
Canto versos para provocar
e me fazer apaixonar.

"...Porque metade de mim é amor
e a outra metade... também."

Tudo porque sou amor
em todas as minhas metades
certas, incertas, pecadoras...também.

Jataí.GO
28.06.2009
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

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