Apenas um dedo de prosa
Cássia Vicente
 
 
 
Se  acomode para um dedo de prosa,
a prosa pode vir em forma de versos
ou ao inverso, pode até acontecer um poema narrado.
Me acomodo ao teu lado e nem me preocupo
em olhar ao lado, já que sinto teu calor bem curioso.
Prova do gosto da espera, e espera a inspiração chegar.
Sem pressa, vem caminhando na chuva fria,
 entra pela porta, vai se aquecer
nos teus braços largos e quentes,
uma dama à sua altura, não em centímetros,
em desejos e padrões.
Chega molhada, cabelos presos num coque,
descalça, os sapatos ficaram na porta que deixou para trás,
o vestido de seda colado em seu corpo, deixa transluzentes suas curvas
e seus seios provocam a luz do abajur.
Sinto que o sorriso largo te deixa excitado e teus olhos pidões
esperam que ela se sente ao teu lado.
Continuo a não olhar para o lado, apenas fumo meu cigarro e me dou o direito da narrativa.
Silêncio expressivo, o que estará acontecendo? espero que o
de direito como pede a ocasião.
Se bem te conheço o nó na garganta travou a tua voz e o teu estômago pede trégua
para as borboletas, mas tuas mãos, continuam lépidas.
Falo alto quebrando o silêncio que já começa me incomodar,
pergunto se não deveria colocar mais lenha
na lareira, ou seria fogueira? 
Como ninguém se manisfesta, me levanto, não ouso olhar ao lado,
sigo até a porta, já que botei a lenha na fogueira, ou seria lareira?
 A mim cabe fechar a porta e o sorriso no canto dos lábios.
 
 
Jataí-GO
05-11-2010

 

 

 

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