Despudor

Cássia Vicente
 
No auge da nossa noite,
mais de meia-noite,
nos entregamos ao despudor
na penumbra do nosso quarto.
 
Cheirando a açaí,
meu corpo se envolve ao teu
 ainda cheirando a ervas-daninhas e
resgatamos da selva a maestria do bicho no cio.
 
 
O teto se abre em  lua cheia
envolvendo nossos corpos, 
estrelas escoram as paredes para suportarem
os gritos selvagens macho e fêmea.
 
 
Nossa cama se reverte em terra santa,
dos lençóis fluem a dança do acasalamento
e num único e intimo gesto
 derramamos a água benta.
 
 
 
MT-fevereiro 2010
 
 
 

 

 
 
 
 


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