ESTRANHO

Cássia Vicente
 
Estranho eu fazer papel de estranho
quando te conheço tão bem.
Da tua singularidade
me tornei cúmplice por anos ímpares.
 Derepente
 estranho me tornei de
cada sonho que deslizou,
cada plano que virou pano de chão,
cada vontade que virou vômito,
cada desejo que guardou a quareta e nove chaves,
cada traço que foi desfeito nas lágrimas,
cada declaração que não foi selada e o tempo devolveu,
cada promessa que virou travessa na mesa que  comeu,
cada pedaço mal passado que não solou,
tantos e tantos cada que não compareceu...
 
Desapareci
 como nuvem carregada que esgota
na noite escura depois de um raio informal
suas esperanças vãs.
Estranho me tornei...
Até anos pares atrás, quando,
sorrisos se abriram em lábios nunca esquecidos.
Ases, Copas e o Full foi regido
por concerto a duas vozes.
 
Estranho como tudo mudou tão derepente...
Num repente, anos já se passaram e
 cúmplices novamente nos tornamos
 na dualidade do fruto maduro ainda no pé.
 
Estranho eu não fazer mais o papel de estranho
quando não mais te conheço tão bem.
 
 
Jataí-GO
23-08-2010

 

 

 

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