Novelo de lã

Cássia Vicente


Nado a favor da mente,
enrolo braçadas com fé,
boto a cara pra fora,
respiro sem dó.

Pego carona na lã da maré,
esqueço a água fria,
desembaraço nos braços do sol
que me alucina, sem dó.

Avisto a margem. Paisagem?
Miragem de um aceno obsceno.
Quase que nem tesoura
vira e corta o nó, sem dó.

Tubarão mostra seus dentes,
ou será piracema no mar?
O medo me pega de jeito
pelo calcanhar, sem dó.

Flutuo...perdi o meio fio?
pesadelo rasga o plano da veia
caio da cama...em cima do cão
que reage sem dó.

Surtei?...sinuca de bico.
De dentes a risos.
Quem desenrola pode enrolar?

Jataí-GO
09-08-2010
 

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