PAPO DE CO(I)ZINHA

Cássia Vicente

Martelo sem prego pode machucar o dedo.
Bem que me avisou.
O meu sangrou na fria parede da despedida.

Afinal, por que o deixou escapar?
Se parafuso fosse a chave-de-fenda
teria evitado tal dor.

Afinal, onde entra a luva ?
Nem chega na palma da mão.

Mulher madura, de repente
se esborracha no chão.

Quem sentirá pena?

A pena serviu pra escrever um poema,
a luva nem pra limpar o chão.

Nem sinto pena, realizo a confusão
na panela deixada ao lado do fogão.

Puxa do saco uma sacola de reclamação,
mas não me venha com esta de
arroz com feijão.


Jataí-GO
26-04.2011

 

 

 

 

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