OLHAR

Cássia Vicente

Não era diversão, era tortura,
pura imagem da inverdade,
da sagacidade invertida
pelo espelho que não importava
se de ponta cabeça,
mostrava a cara lavrada
no mármore frio.

Estaria morta?
De vergonha é que não.

A palidez da pele sob o pó
confirmava a suspeita de quase vida.
Estaria viva?

Não vou dar uma de maluca,
vou sair deste labirinto de espelhos
e ver se enxergo o brilho da lua refletida
lá fora.

Novembro 2011