Talhão
Cássia Vicente
 
 
Resolvi escrever...não sei bem o quê devo colocar aqui, em outros tempos viria fácil uma lamentação saída da tristeza profunda do meu ser, isso é que move o escritor ainda arraigado nas entranhas da dor, hoje ainda confusa, talhada de adjetivos poucos admiráveis, recuso as depressivas palavras, mas...onde estão as sadias frases? Se escondem em algum cantinho eu sei, mas como buscar no baú mental? Entoada pela sugestão toco nas letras como gostaria de tocar no piano, mas esta é outra estória.
Das dores não quero mais escrever, dos desamores tampouco, das lágrimas que não derramo,
nem quero me lamentar e lá se foram os anéis e meus dedos continuam ágeis, resta a minha mente estabelecer a conexão com o meu novo papel, queira ela ser boazinha comigo.
Então, estou indo preparar o meu talhão, adubar com uma boa rega de paciência, alinhar os canteiros para as sementes que vou colocar uma a uma com sapiência e enquanto crescem, cresço eu.
 
Setembro 2011