DELÍRIOS PLURAIS

Cássia Vicente


São quase meia noite ou o quase início de um novo dia? Onde tudo começa ou termina?
Onde será que está o meio fio ou o fio se rompeu antes de ser encontrado o seu início?
Causa absurda, abstinência profunda de um corpo nu em pêlo ou pelo nu resolve se vestir de azul?
Azul celeste ou azul cor do mar que empresta ao poeta a lua cheia?
Cheia de neon ou de planos escritos em papel de pão amanhecido ou no da rosca melada de caramelo?
Caramelo de açucar ou de fel que a boca urge em desferir sob o estômago magoado?
Ferido de morte pela decepção de ser o único a sentir a dor do parto?
Parto para bem longe ou para bem perto. De quem mesmo?
Atravesso a rua deserta e deixo para trás os curiosos que só querem azarar ou melar o rascunho?
Seria melhor destravar as tramelas ou travar a lingua no travalingua do rato que roeu a roupa...?
Do rei ou do profeta? Que importa se todos são meros corpos nus enquanto seres inundados de pecados?
Mortais ou siderais, bicho do mato ou da platéia que aplaude em pé o inferno de Dante?
Antes tarde do que nunca, serei a Divina da comédia?A Diva do divã do analista?
Quem poderá me convencer do contrário se me contrario com facilidade?

Jataí.GO
16.05.2009

 

 

 

 

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