"... tinha suspirado,
tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas,
como um corpo ressequido que se estira num banho tépido;
sentia um acréscimo de estima por si mesma,
e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
onde cada hora tinha o seu encanto diferente,
cada passo condizia a um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"
(Eça de Queiroz)
 
...tinha suspirado,
tinha escrito vorazmente!
Não era a primeira vez que escrevia sua paixão,
seu desejo de estar, sua vontade de olhar,
sua necessidade de ter.
Com o corpo retorcido, aninhou nos lençóis
e tentou buscar o alívio com suas narinas,
sentiu um acréscimo de saudade e pensou
explodir.
Sua alma derramava suspiros doloridos,
não compreendia a distância,
queria junção ao corpo e encontrava solidão,
enxergava o lado direito da cama vazio.
Onde estavam as horas e os ponteiros dos minutos
sorridentes?
Estaganaram as palavras e escorreram as lágrimas.
Procurou as mãos,
onde cada hora tinha o seu encanto diferente,
cada passo condizia a um êxtase,
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"
(Cássia Vicente)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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