L o u c u r a
 
       Cássia Vicente
 
Numa busca que pensava louca, descobri que não
se encontra o que está ao lado, porque não está perdido.
Basta apenas olhar de lado e ver, tocar, enfim,
sem receio que vá embora, porque simplesmente
o que amamos não se afasta jamais.
Completando a minha busca, descobri que quem nos ama
também sempre está ao nosso lado.
Muitas vezes nós que deixamos de olhar ao lado por um
desvio de nossa personalidade por momentos egoísta e fora
de forma.
 
Descobri-me louca.
 
Louco aquele que chora pelo que pode tocar quando desejar.
Louco aquele que resiste dobrar a cabeça por orgulho.
Louco aquele que pensa que o amor pode escapar quando quiser.
Amor de verdade permanece.
Tão suave estabelecer conexão com a loucura que nem percebemos
quando ela nos volve a seu bel prazer.
Algumas loucuras são fundamentais para avivar a paixão.
Esta loucura sadia agora  respiro sem me deixar endoidecer.
 
Sobrevivi a esta louca cruel.
 
Loucuras cruéis e mentirosas e nos afastam da verdadeira razão,
nos fazendo crer no que elas criam e quando estamos na dela, riem
da nossa incapacidade de discernimento.
 
Quão louca muitas vezes é nossa vida, nossa percepção, nossa capacidade
de envolvimento, nossa incapacidade de rasgar preconceitos e por aí vai...
 
Eu me vi louca muitas vezes, demente, sem razão, vendada pelas ignorantes
atitudes que assumia perante mim.
Me maltratava e a loucura pior, maltratava quem estava do meu lado.
Não deixava meu coração raciocinar, levava tapas e mais tapas da loucura
malígna (chamam de depressão) e só permitia as lágrimas ácidas corroer minha face.
 
Um dia, despertei com um banho de água benta (chamam de labirintite emocional)
exorcizando minha mente e corpo.
Entendi a duros anos que perdera um tempo precioso e que viver é conviver com
as situações convertendo-as em regalos.
Reservando as noites para o merecido olhar pra dentro recarregando as energias
com a lua (chamam de poesia) para que o sol a alimente no dia.
E acima de tudo amar, amar sempre. Amar a terra árida que destoa com a pele macia.
Amar os olhos que invertem a situação. Amar as mãos que arracam a flor ainda em botão.
Amar os pés que tropeçam por descuido. Amar as palavras mal ditas. Tirando de cada amor uma lição de vida. E amar, amar muito as coisas leves que tocam a nossa pele.
 
A versão louca por mim ( chamam de crescimento) hoje pulsa mais que acelerada.
 Aquela versão àgua benta ainda me chama à razão quando preciso. Bendita labirintite.
 
Sou louca. Absolutamente louca.
 Soletro a loucura no verbo presente. Soletro o verbo amar em conjunção com o verbo perdoar, formando frases com o verbo respeitar.
 
Algumas vezes ainda escorrego naquela loucura ( que chamam de depressão) que insiste
em me arrastar pro quarto escuro.
Não passo da soleira, dou meia volta batendo a porta na cara da dissimulada e dando
minha louca risada desinibindo minha libido de forma apaixonada.
 
Jataí.GO
07.06.2009
 

 
 
 
 
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