O casal perfeito
 



 

 
 
¨...O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro - ou sem se isolar dele? O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união?...
...O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar, a empregada que não veio o filho doente, a filha complicada, a mãe com Alzheimer, o pai deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor. ..
...Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar, pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas. Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado, como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem, de mudar de profissão.
 
Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização e sobre tudo abertura com o outro. Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa são terrivelmente tristes e terrivelmente comuns...¨(trecho de O casal perfeito-Lya Luft)
 

O casal perfeito! Quando a gente se casa acreditamos ser para sempre e que seremos o casal perfeito até que a morte nos separe. Com o passar do tempo vemos e sentimos que não é bem assim, são duas diferentes pessoas que se uniram, têm arestas para aparar, diferenças a corrigir, são educações , gênios , gostos, pensamentos diferentes, quando percebemos estamos envolvidos com casa, filhos, trabalho, e o diálogo vai ficando esquecido, não temos mais os momentos a dois, assistindo a um bom filme no sofá, discutindo sobre um livro, esquecemos de nos convidar para um passeio, ficamos envolvidos nos nossos problemas e esquecemos que estamos criando um bem maior, o nosso relacionamento está ficando em segundo plano, porque a paixão já acabou, provado está que a paixão dura dois anos, depois vem o amor e algumas vezes ele não vem como desejaríamos e já estamos envolvidos até o pescoço,  confundimos tudo acreditando ser amor e vemos pouco a pouco este amor se desgastando nas pequenas coisas do dia-a-dia, e vamos empurrando com a barriga ao invés de reagirmos, cada um no seu canto, ele vendo tv na sala, ela no quarto, culpamos os filhos, o trabalho, a casa...enfim...esquecemos de parar e analisar, observar a nós e ao nosso companheiro, vermos que a lei do mínimo esforço é o que está nos regendo e que temos que reagir, usar a lei do máximo esforço, de nos desdobrarmos para continuar o namoro no casamento, um fortalecendo o outro com carinho, dedicação, compreensão, convivência sadia gera amor, isso é a nossa saúde para que o casamento não adoeça e muitas vezes morra na praia. Quando morre, na maioria das vezes não é enterrado, vira fantasma na nossas vidas e todo fantasma assusta, intimida, amedronta. Como disse Lya Luft na sua crônica sobre o casal perfeito, casais solitários dentro de casa é terrivelmente triste, disse também que devemos escolher a nós diariamente. Se, vivermos e fazermos o que nos faz bem e que nos faz feliz, teremos a condição de fazer o companheiro feliz, porque quando estamos bem temos todas as condições e suportes para fazer a felicidade do outro. Posso assinar em baixo do que escrevi, porque na prática, vivo um casamento de trinta e dois anos, com altos e baixos, períodos de namoro e período de fantasmas ambulantes na mesma casa e com certeza os melhores momentos são o de namoro, cumplicidade, diálogo, e, quando dois fantasmas perambulam pela casa quase não se esbarrando, me pergunto onde foi que me perdi, porque sinto meu corpo mas não sinto minh´alma. Muitas vezes me anulei pensando em filhos e marido e isso me fez escorregar para um abismo sem enxergar o final, outras acordei pensando em mim, decidi me dar a realização e pude perceber o quanto enxerguei o céu azul, mesmo que colocassem nuvens negras sobre ele, outras planejei e não cumpri, outras desisti por comodismo ou covardia, que penso serem a mesma coisa, e isso me deixou infeliz, mas o que pude aprender é que se a gente decidir realizar um sonho, tem que ser por nós, sem pensar no que o outro vai pensar, ou, colocar obstáculos, difícil vencer barreiras, mas não impossível. E,  se o nosso companheiro nos apóia, nossa! glória aos céus, como tudo fica azul, a casa, a rua, a fazenda...nosso rosto fica iluminado e, quando chegamos em casa, queremos o sofá da sala ao invés do quarto. Meu casamento ainda vive altos e baixos, mas ainda é  jovem e vai com certeza aprender a olhar somente para o céu e sorrir, melhor se for a dois.

¨...É difícil? É difícil. É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico, dizia Hélio Pellegrino.  Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente, e amém...¨(Lya Luft)

 

Cássia Vicente

fevereiro 2012.

 

 

 

 

 

 

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