Perda de amores



As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão
Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.

(Trecho: Memórias, Carlos Drumont de Andrade)





Bom dia Hoje para você, lendo o texto de Letícia Thompson que está subscrito mais abaixo, vi que é exatamente daquela maneira que vivemos a perda de um amor. Gosto muito de meditar sobre este tema, porque ainda sou muito apegada aos meus amores e estou trabalhando meu egoísmo nisso para que possa ser mais feliz e deixar serem mais felizes. Amar em liberdade é como os pássaros que vejo todos os dias aqui na minha fazenda cantando a sua liberdade.

Penso que chegou a hora de agirmos e pensarmos de outro modo, afinal já somos seres um pouco mais esclarecidos, ou pelo menos estamos tentando ser. Só pelo fato de tirarmos uns minutos de nosso dia para ler o Bom dia Hoje já é um sinal que queremos mudança urgentes em nossas atitudes. Então, resolvi escrever o que tenho tentado praticar. Entenda que Amor não é somente entre um homem e uma mulher, o que quero abranger e tento praticar é o amor universal, entre casais, pais filhos, amigos, natureza, enfim o amor na sua forma original e simples, que tanto tentamos complicar.

Quantos amores perdidos tem neste cosmo, voando sem direção, impregnando-o de energias tristes, que podem afetar cada um de nós. Isso é fato, mas pode ser revertido com atos e pensamentos em energias boas para cada um, nos fortalecendo e nos ensinando. Olha nossa responsabilidade para com o outro. Não é somente nós que colhemos o que plantamos, outros também acabam se alimentando do que colhemos.

Amor é energia, se é energia, ele tem a capacidade de transmitir a sua força, então pense comigo, já pensou esta energia sendo transmitida em forma de tristeza, mágoa, raiva..., estes sentimentos que sentimos quando um amor se vai, digo se vai, porque um amor quando é verdadeiro, ele não se acaba, ele simplesmente por alguma causa se afasta e este afastamento pode ter vários motivos que não permitiram que ele ficasse ao nosso lado, mas ele existe, é força energética e esta força nós podemos transformá-la em companhia e alimento, como a energia elétrica que não a vemos, não a tocamos, mas ela está sempre presente quando a buscamos e ela nos oferece aconchego.

Você pode estar pensando, Cássia, você está filosofanfo, na prática não é assim..., e eu, lhe digo, claro que não é, porque ainda somos Egoísta, queremos tudo e todos que amamos ao nosso lado, sob nosso controle, mas lhe digo também, está passando da hora de mudarmos, de abrirmos as portas e deixar entrar a sabedoria que está batendo sem cansar. Sabedoria é amor.

Ainda somos daqueles que pensamos mais em querer tudo do que em repartir e ainda não entendemos que a física não é tão assim como se explica, a presença pode estar na ausência aos olhos, ela vai além, muito além do que aprendemos. Somos seres que temos sede de novas experiências, então porque não tentarmos entender e praticar estas novidades que nos batem à porta?

Amar é saber dividir, saber compartilhar, saber conviver com a ausência, com a distância física, porque a emocional não tem parâmetro que a meça. Muitas vezes se ama mas não se pode ter do jeito que se deseja, e desejar muitas vezes é egoísmo.

Esta energia chamada Amor é a energia primeira, ainda pouco compreendida e que está em tudo e em todos, entre o céu e a terra, entre o bom e o mal, entre o irracional e o racional. Precisamos sim, aprender a lidar com esta energia sem egocentrismo e quando precisarmos desligar o interruptor, sabermos que ele pode ser ligado mesmo que a lâmpada não esteja mais lá, porque ela é cósmica e não física.

Se a falsa impressão da perda de um amor dói tanto, e sabemos que dói, porque não transformarmos esta dor em gratidão pelas coisas e momentos bons que tivemos, pelas lições aprendidas e fazer de cada lágrima a fonte para energizar os outros que estão na fila à espera de aproximação? O Amor, como as nuvens se transformam em gotas para fertilizar a terra. Triste podemos e ficamos é lógico, mas temos o dever de substituí-la rapiidinho!

Um amor não se acaba, dá espaço para que outro tenha sua oportunidade. Somos seres ainda de difícil convivência e muitas vezes precisamos que um amor caro se afaste para que possamos crescer e tomarmos a lição mesmo que tenha gosto de fel, um dia ela terá gosto de mel, porque nosso paladar se apurou e isso chamo de amor incondicional.

As mães, principalmente, e muitos pais, teem um amor egoísta pelos seus filhos, os querem debaixo de suas asas eternamente, se esquecem que eles crescem, que precisam de suas experências, suas dores e que o seu amor egoísta não os deixam crescer e que muitas vezes os afastam não por falta de amor dos seus filhos, mas sim por quererem liberdade. Assim como as mães, agimos com outros amores. Amor é liberdade e respeito, com isso nunca sentiremos que perdemos amor algum.

Peraí, não entendam que eu estou dizendo que temos que ser volúvel, estou abangendo o amor no seu todo. Cada caso é um caso em particular, mas o que quero deixar aqui é que não prenda o amor que quer ir procurar outra direção, deixe que ele voe, se for amor verdadeiro em algum tempo, em algum lugar, que não precisa ser este em que estamos agora ele retoma o voo de volta muito mais fortalecido e encontrará um pouso mais bem preparado.





(Amor que se perdeu, Letícia Thompson) Poucas coisas doem tanto. Poucas coisas fazem tanto mal a ponto de tirar muitas vezes a vontade de viver. Se estamos doentes, vamos a um médico, fazemos tratamento, esperamos pacientemente nossa cura. Mas estar doente de amor é outra coisa. Não há médico que resolva, não há remédio que possa curar. Não há conselho que valha. Quando um amor chega, ele traz na bagagem muita coisa. Mais ainda do que todas as nossas noites de sonhos poderiam sonhar. O amor é sempre mais do que o que esperamos quando ainda não sabemos nada dele.E quando ele parte, vai levando também nossos sonhos e nossa visão do amanhã. Arranca de nós de forma bruta a felicidade que se estava construindo, aquele mundo desconhecido que estávamos desbravando com tanta coragem. E sem anestesia, sem preparação. Por isso dói tanto e tanto.Quando amamos alguém inteiramente, entregamos a essa pessoa um pedaço do nosso ser. E quando essa pessoa se vai, a impressão que temos é que esse pedaço vai junto. Por isso essa sensação de vazio no interior. E por isso também essa idéia de que nunca mais amaremos, como se o mundo não fosse uma casa repleta de portas e janelas abertas. As lágrimas que encobrem nossos olhos, nos impedem de ver o exterior, de ver à frente. Só olhamos pra trás, o que foi vivido, o que foi sonhado; só olhamos pra dentro, o que não temos mais. E uma enorme sensação de solidão toma conta da gente. As pessoas a volta nem sempre compreendem. Como é possível amar tanto assim? Como é possível se entregar a esse ponto de se perder? E essa incompreensão do mundo que nos cerca aumenta ainda mais nossa sensação de vazio e pequenez. Precisamos nesses instantes de mãos que segurem nossas mãos para nos ajudar a atravessar esse período, não de pessoas que nos julguem. Precisamos de pessoas que, mesmo em silêncio, nos ajudem a sonhar novamente, a descobrir ainda as belezas que o mundo nos propõe. O mundo é ilimitado, mesmo se em alguns instantes só conseguimos ver limites.O coração, mesmo ferido (e que ninguém duvide dessa ferida que é real!) ainda está inteiro. E ele precisa ser cuidado para que possa se restabelecer, para que possa se abrir novamente um dia a novas oportunidades que certamente virão. Porque isso vai acontecer.Acreditem! Nada mais incansável que o coração quando se trata de amor. Nada mais teimoso! Nada mais ridículo e nada mais belo!...Ele recomeçará. Porque se dor de amor dói tanto é porque faz também tanto bem. São as contradições da vida, mas que aceitamos de bom grado. É só esperar um tempo e ele recomeçará. E nós com ele... porque assim segue a vida!...(Amor que se perdeu, Letícia Thompson)


As mãos que nos seguram são os nossos conhecimentos.

Cássia Vicente

Aprendiz da vida e do amor!

 

 

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