SOBRE LER
 
 
Minha terapeuta pegou um livro em cima da sua mesa e me perguntou: - quer levar pra ler e me devolve semana que vem? respondi que sim, meio confusa, com medo de não terminar a tempo. Ando numa fase preguiçosa pra ler, sem contar que tenho dois livros começados, na verdade dou a desculpa de falta de tempo, que todo tempinho que tenho vou ler meus e-mails, que a iluminação aqui em casa é fraca e não ando enxergando tão bem...tudo desculpa esfarrapada pra quem adora ler, eu sei. 
Tempo a gente que faz, um apertãozinho aqui, outro acolá e o tempinho pra ler aparece, assim como todos os outros que encaixamos no nosso dia.
Como encaixou um final de semana prolongado por causa do feriado e tenho que ler ou ler, afinal devolver sem ler, nem pensar.
Então, peguei o livro de empreita.
Faz tempinho que não leio uma obra de Chico Xavier, peguei o livro animada e fui pro sol. Diálogo dos vivos.
Comecei pela orelha, tem que ser a primeira coisa a ler num livro, aprendi quando lancei meu livro, na orelha a gente se prepara a leitura. Aliás, temos que ler a dedicatória, o prefácio, o pósfácio, o índice, tudo nos leva ao sentido do livro. Quantas vezes pulei o tudo isso, hoje vejo que foi por falta de informação.
Voltando ao livro que comecei a ler, um livro de pequenas mensagens, encaixou como uma luva nas minhas necessidades. Estou quase terminando e já entendi muita coisa que já sabia e não queria admitir e aprendi muitas outras.
Está aí a magia da escrita! 
 Como aspirante a escritora, quando li a mensagem de Emmanuel sobre Escrever,
fiquei encantada como ele definiu, senti a minha responsabilidade, juntamente com a bençao que é poder estar "nas letras" e quero transcrever aqui na íntegra pra que você, que escreve e também pra você que gosta de ler, entendam, assim como eu o que Emmanuel escreveu sobre Escrever:
" Escrever dignamente: será isso tão só guindar-se quem se exterioriza, através das letras, às alturas literárias, fixando imagens com palavras preciosas?
Certamente todos od escritores, ainda mesmo aqueles que se caracterizam por sentido absolutamente hermético, são credores de respeito.
Lícito, no entanto, considerer que importa, acima de tudo escrever edificando.
Entendemos que a idéia gratificante materializada se destina de preferência aos salões nobres, entre os quais transita, suscitando criações educativas que honorificam a humanidade. Isso, porém, não lhe suprime a função em setores outros, com muito mais extensão e força, onde atende a objetivos diferente.
Observemos, de relance, os campos de experiência em que se agitam milhões de seres, aguardando o pensamento que se lhes ajuste às necessidades. Não encontramos aí os temas de simpósios ou os assuntos altamente específicos, embora semrpe dignos e indesipensáveis.
Nessas linhas de provas e lutas edificantes identificamos a fome de idéias renovadoras que derramam consolo e esperança, orientação e fé, arrebatando corações às trevas da imponderação e da rebeldia. Letras que traduzem apoio e consolo aos acidentados de oredem moral, a fim de que se refaçam, escora aos que se arrastam na aflição, remédio aos enfermos do espírito, salva vida aos náufragos da Terra a se debaterem na pesada maré do desequilíbrio, para que se firmem na praia da segurança.
Escrever, sim, mas saber o que escrevemos, como escrevemos, para que e para quem escrevemos. Porque
o sentimento gera a idéia, a idéia plasma o verbo, o verbo estabelece a ação e a ação cria o destino.
A vista disso, é preciso lembrar de que tudo quanto escrevermos, nos quadros de hoje, a vida nos trará o reflexo claramente exato nas telas do amanhã." (Diálogo dos vivos, Francisco Cándido Xavier, J. Herculano Pires e espírito diversos)
Quando acabei de ler esta mensagem, me lembrei de algumas observações que já recebi sobre meus escritos, e entendi muito bem o que Emmanuel quis dizer quando escreveu que, o sentimento gera a idéia, a idéia plasma o verbo, o verbo estabelece a ação e a ação cria o destino. 
Sei que, escrevo palavras que ajudam, que encantam, que prometem e sei também que escrevo as que podem ferir. Imprudência? desrespeito? impulso?...Não sei, quando escrevo a quem vou agradar, a quem vou ferir, escrevo sentimentos que fluem de minh´alma. Me perdoem ou se juntem comigo nesta missão, posso chamar assim, tão gostosa. Mais gostoso mesmo, é ser um espírito em aprendizado e evolução.
Agora, aproveitando a luz do sol a tarde linda de domingo, me dêm licença, vou ler.
 
(Cássia Vicente -Jataí-GO -01-11-2009)

 

 

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