Um dia na vida da gente

Cássia Vicente

Acordei. Sete horas, cedo pra levantar num domingão, mas por outro lado já estava descansada e tinha um texto pra escrever. Olhei pro lado, lá estava ele, meu computador esperando. Resolvi levantar e escrever, mas antes fui até a cozinha tomar café, voltei pro quarto e resolvi arrumar a cama (não é porque é domingo tenho que relaxar). Quase sentei em frente ao computador, mas voltei pra cozinha, tinha que tomar meus comprimidos matinais, chegando lá vi que a vasilha das cachorrinhas estava vazia, peguei pra colocar ração. Chegando ao saco de ração vi que o quartinho estava uma bagunça, coloquei a vasilha na mesa da varanda e fui arrumar as prateleiras. Achei minhas tinhas e me lembrei que tinha algumas peças de cerâmica pra pintar, deixei a vassoura de lado, peguei as tintas, algumas folhas de jornal, arumei tudo no banco ao lado da mesinha que costumo pintar, coloquei ela bem ao sol, hum, o sol estava me convidando, fui até o quarto, olhei pro computador e coloquei meu biquini. Passei protetor e fui em busca do sol, antes peguei as peças que iria pintar, deixei em cima do banco e fui buscar meu chapéu. Chegando no quarto onde estava pendurado vi a vassoura elétrica que havia comprado e resolvi estrear, li o manual, montei e já estava passeando com ela pelo chão. Varri a casa toda, joguei a sujeira fora, aproveitei o pano de chão que estava no balde e passei pela casa. Liguei a televisão, me sentei enquanto tomava um yogurte que acabara de pegar na geladeira quando ia até a lavanderia deixar o pano e rodo.
Preciso escrever o texto. O sol bateu na minha cara. Fui pintar as peças e aproveitar o sol, antes liguei o rádio. Logo o locutor anunciou, meio dia.
E deixei o texto pra lá. Quem sabe amanhã. Abri uma garrafa da vinho branco que estava a dias me esperando na geladeira.
Lá pelas cinco da tarde, já cansada de tanto pra lá e pra cá, um bom filme na Sky e algumas esfirras a mais, sentei em frente ao computador e pensei no que iria escrever.
Recordei o meu dia e pensei se todos eram como eu. Começam e terminam quase tudo num dia.
Uns dias sou bem devagar, noutros sou mais de mil. Tem dias que acordo prometendo bom dia, noutros acordo cansada e sem vontade de um olá, mas a vida me empurra e arrasto o dia. Tem dias que faço todos os planos, não reclamo, namoro a vida, noutros me desepero, reclamo, fecho a cara e não sai nem ar.

Isso se chama falta de planejamento? relaxamento? disturbio emocional? alegria? falta de grana? grana demais? falta de amar? amor de mais da conta?. Essa vida agitada pede espaço, ou perde espaço pro sossêgo?

O bom de tudo isso é que nunca nossos dias são iguais. Senão a monotonia nos arrancava a graça e com graça as rugas se mostravam pra nós antes da hora chegar.

O bom da vida é viver! seja lá do jeito que for. Assim devagar, Assim rapidinho. Assim sorrindo. Assim cara feia (só de vez em quando).

A saída pra tudo isso é gostar da vida. Aceitar como ela nos recebe toda manhã. E vamos que vamos depressa ou devagar chegamos lá.

Um dia na vida da gente é bom demais.

Bom dia!

E assim quase termino o dia sem escrever, mas em tempo coloquei quase em dia meu dia! E ainda tenho tempo pra muito mais.




Jataí.GO
30.08.2009






 

 

 

 

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